Você me vê quadro
Esquece que não tenho molduras
Pode entrar neste fantástico
E usufruir sem espessura
Você chega e abre a porta
(não deste quadro)
Pendura as botas
Seqüestra este espaço
E eu espero
E então lá se vão as horas
Não há toques
Entre nossas bocas
Você pensa que sou rica
Organizadamente repleta de qualidades
Você pensa que sou fita
De amarrar em cabelo de boneca
Você esquece que sou esperta e lagartixa.
Mas organizadamente percebo vocabulário
Palavras belas de enganar bonecas
E não lagartixas de plástico
Você senta, deita e dorme como o ar
Que se sabe, se sente e não toca
Esquece que sou matéria
Vivo de toque e aconchego
Crio agora poeira
Do tempo e da distância
Que saco!
Desabafo.
Cansa.
Agora sou organizadamente aquela boneca
De matéria quase morta
Um quadro sem molduras
Uma fita no armário
Pendurada entre suas botas
Você nem chega a…
Você esquece mesmo.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário